domingo, 13 de março de 2011

Forex, Cobertura do Risco Cambial!

Para os importadores / exportadores a componente do Risco Cambial é uma verdade que os acompanha constantemente até à data das facturas a liquidar ou a vencer. Para esta realidade financeira tão volátil quanto instável, existem formas de protecção nos mercados financeiros, contudo, encontramos ainda empresários ou outros que, não adoptam uma estratégia de cobertura de risco adequada para salvaguarda dos seus negócios e, no final, podem ficar sujeitos a números verdadeiramente avassaladores para as suas empresas ou contas pessoais. Se é certo que a globalização parcial monetária à escala europeia veio eliminar parte deste complexo problema, não é menos verdade que ele ainda é efectivo e muito, quando as transacções são efectuadas com países fora do circulo Euro, nomeadamente o Reino Unido que sendo europeu não faz parte do grupo monetário europeu assim, como outros ainda. Depois, temos tantos outros com um forte ênfase os Estados Unidos da América (USA) e um enormíssimo conjunto de países do resto do mundo com quem hoje Portugal tem relações comerciais. Destaco por exemplo as economias dinâmicas do presente como o Brasil, a Índia a China ou mesmo os recém descobertos países do norte de África.
Como referi anteriormente, há no mercado mecanismos simples que podem e devem ser adoptados no auxílio da gestão das empresas e, consequentemente à protecção dos negócios concretizados. Uma estratégia bem definida e com sentido responsável de assegurar a tranquilidade financeira e cambial da empresa, é sem dúvida alguma, uma atitude muito correcta e extremamente eficiente para o progresso e competitividade das empresas.
Todo este processo poderá facilmente ser posto em prática através do Forex (mercado cambial). Um mercado superiormente seguro e organizado, que movimenta diariamente mais de 3,5 triliões de dólares (USD) e em plena actividade de negociação' desde as 22.00horas de domingo até ás 22.00horas de sexta-feira. Através de um broker (corretora, não é um banco) podemos aqui com uma percentagem muito residual fazer a Cobertura do Risco Cambial nos negócios, sejam eles de horizontes temporais muito curtos, curtos, médios ou longos.
Qualquer interveniente, pessoa singular ou figura colectiva com relações comerciais com o exterior, deverão necessariamente utilizar esta ferramenta de protecção para bem dos seus interesses e do futuro das suas economias e, não deixar que a sorte ou o azar das flutuações monetárias tomem o controle das finanças.
Deixo então aqui um exemplo bem prático e simples de contabilidade para se poder reflectir sobre a importância de se fazer a Cobertura do Risco Cambial. Note-se que o exemplo que vou apresentar é de um exportador, mas, as contas no sentido inverso, serve perfeitamente para exemplificar o que sucede a um importador quando o dólar (USD) se valoriza face à moeda europeia o EUR.
Caso prático:
Alberto Mendes (empresário português) vendeu a uma empresa norte americano 10.000 pares de calças a 10.00€ cada. No entanto, no acto do negócio o Sr. James (empresário americano) exigiu que a transacção se efectuasse em dólares (USD) e com vencimento a 120dias, com início a 08-06-2010 e termo a 08-10-2010. Então, Alberto Mendes teve forçosamente que saber qual o valor do USD face ao EUR no dia 08-06-2010 e acordaram que face ao cambio das duas moedas 1,00€ valia no mercado cambial 1.20$ USD.
Tudo em EUR seria:
10.000 (calças) * 10,00€ = 100.000€
Feita a conversão cambial e transposta para a factura, ficou assim:
10,00€ * 1,20 USD = 12,00 USD (Preço de cada calça em USD)
10.000 (calças) * 12,00 USD = 120.000 USD
Valor da factura a pagar por James em 08-10-2010: 120.000 USD
Acontece que no decorrer do prazo e até ao dia 08-10-2010 no mercado cambial o EUR valorizou-se face ao dólar (USD) consideravelmente, valendo no dia do vencimento da factura cada EUR 1.39 USD.
Alberto Mendes com os 120.000 USD ao fazer o câmbio, converter USD em EUR, fê-lo ao preço do mercado que era agora de 1,00€ = 1,39 USD.
Feita a conversão ficou assim:
120.000 USD / 1.39 USD (valor de cada EUR) = 86.330,00 €









No final, este empresário português viu o seu negócio desvalorizar-se em 13.670,00€ por não ter feito uma Cobertura do Risco Cambial. Bastou acontecer uma desvalorização do dólar face ao EUR em 0,19 USD para a transacção comercial do Sr. Alberto Mendes ficar  reduzido a um péssimo negócio.
Então, como devem os empresários fazerem a Cobertura do Risco Cambial?
De uma forma sintetizada e simples, irei abordar o mecanismo de protecção ao Risco Cambial quer nas exportações como nas importações:
Depois de aberta a conta de negociação numa correctora (o seu Broker de negociação), poderá fazer a Cobertura de Risco Cambial num conjunto muito interessante de moedas mundiais. Desde o cross (par de moeda) EUR/USD, porventura o mais conhecido e negociado em todo o mundo, até às mais exóticas existente pelo globo como são o caso das asiáticas.
Como investir neste mercado com o intuito de proteger as exportações versus importações?
Tomando como exemplo o caso do negócio acima referido, dos nossos já conhecidos Alberto Mendes e o Sr. James, iremos utilizar pela parte do português o cross EURUSD, (EUR=moeda base e USD=moeda de cotação).
Então, sabendo nós que neste negócio o Alberto Mendes perde dinheiro se o EUR obtiver valorização sobre o USD, vamos ao mercado vender a moeda em que iremos receber no final do prazo, isto é, vamos vender USD. Com isto, quer dizer que se o USD se desvalorizar no Forex, nós iremos obter mais valias com a nossa posição aberta no mercado enquanto estamos a perder no negócio com o Sr. James. Se estamos a perder com a subida do EUR no negócio das calças, estamos a ganhar na mesma proporção no mercado cambial porque vendemos o USD e ele está no mercado efectivamente a desvalorizar-se tal como desejamos para proteger o negócio da nossa empresa.
Como protegemos o nosso negócio através do Forex se o USD está a desvalorizar-se?
No dia 08-06-2010 vamos ao mercado abrimos uma posição de compra (longo) 100.000 EURUSD à cotação de 1,20 USD por um prazo de 120 dias conforme a nossa factura. Na data de 08-10-2010 para fechar a nossa posição aberta a 08-06-2010, teremos que ir ao mercado e vender os nossos EURUSD em carteira. Só que agora eles estão a ser cotados a 1,39 USD cada EUR, então, como os tínhamos comprado a 1,20USD cada EUR e agora vendemos a 1,39 USD cada EUR, temos então uma mais valia de sensivelmente 13.670,00EUR.
Devo alertar que, por exemplo, no cross EURUSD, quando abrimos uma posição longa (compra), estamos a comprar a moeda base, melhor dizendo, estamos a comprar EUR e automaticamente a vender a moeda de cotação, o USD, do mesmo modo, quando abrimos uma posição de venda (short/curto) no mesmo cross EURUSD,, estamos a vender a moeda base EUR e a comprar a moeda de cotação USD.
Vamos precisar de ter este montante todo na correctora para fazermos a Cobertura do Risco Cambial?
Não, não vamos. Neste mercado e outros, existe a possibilidade de alavancar até 100 vezes o montante disponível na conta. Quando investimos, neste caso, no Forex, a correctora apenas exige uma percentagem (margem) muito pequena (1%) do valor exposto no mercado. Por exemplo, para fazermos a cobertura do valor dos 100.000€ necessitamos de ter na conta apenas 1.000,00€.
Julgo que após esta demonstração extremamente simples podemos garantir a tranquilidade dos nossos negócios quer através da exportação como da importação. Se podemos utilizar este meio tão seguro e líquido, não tem porque arriscar avultados montantes sem o retorno esperado.
Não esquecer nunca que nas importações o cenário poderá ser precisamente o contrário.
Espero que com este artigo tenha contribuído para a salvaguarda dos negócios empresariais.


mftrader
Nota: Este artigo é meramente uma visão e opinião do autor e, nunca, deverá ser tomado como corresponsável por posições executadas por outros, nem como artigo conselheiro de quem o lê. Apenas e só isso, um ponto de vista pessoal.